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GEO vai crescer mesmo com pouco tráfego da IA? Estudos revelam oportunidades além dos cliques

Um estudo com mais de 145 milhões de sessões reacendeu o debate sobre o futuro do GEO (Generative Engine Optimization), a otimização de conteúdo para sistemas de inteligência artificial. A pesquisa aponta que, nos sites analisados, o ChatGPT encaminhou visitas equivalentes a apenas 0,62% do tráfego orgânico do Google. Mas outros levantamentos mostram que, apesar da participação ainda pequena, as visitas originadas em assistentes de IA estão crescendo em determinados mercados — e podem apresentar potencial de conversão acima da média.

O contraste levanta uma pergunta importante para empresas, produtores de conteúdo e profissionais de marketing digital: vale a pena investir em GEO agora ou o SEO tradicional continuará sendo prioridade? A resposta depende de separar três conceitos: aparecer nas respostas de uma IA, receber uma visita e gerar um resultado concreto para o negócio.

O que o estudo que questiona o GEO realmente mostrou

Em 21 de outubro de 2026, a consultora de SEO Marie Haynes publicou a análise “GEO is a distraction”, baseada em 12 meses de dados do Google Analytics 4 (GA4) de 100 sites, que somaram mais de 145 milhões de sessões.

  • 0,62%: volume de sessões vindas do ChatGPT em comparação com as sessões de busca orgânica do Google.
  • 0,73%: proporção quando os encaminhamentos de outros assistentes de IA também são incluídos.
  • 13,8%: taxa de conversão observada para visitantes do ChatGPT nos 55 sites que monitoravam conversões.
  • 3,02%: taxa de conversão de visitantes da busca orgânica do Google no mesmo subconjunto.

Os dois primeiros índices não representam a participação da IA no tráfego total da internet; são uma comparação com o volume de sessões do Google orgânico naquela amostra. Já a conversão do ChatGPT foi aproximadamente 4,6 vezes maior em termos de taxa, mas o Google gerou 27 vezes mais conversões em volume do que todos os assistentes de IA somados.

Haynes observou ainda desaceleração nos encaminhamentos do ChatGPT em sua amostra após agosto de 2025. O resultado não prova que a procura pela IA tenha caído no mercado inteiro, nem que o lançamento de um modelo específico tenha provocado essa tendência. O estudo também não detalha suficientemente a composição setorial dos sites, os períodos exatos de apuração e as definições de conversão — limites destacados pelo Search Engine Land.

Outras pesquisas mostram que o crescimento não parou em todos os setores

Uma análise da The SEO Works acompanhou 95 sites entre setembro de 2025 e agosto de 2026. Nesse conjunto, a busca orgânica enviou 39 vezes mais visitas que os assistentes de IA, mas os encaminhamentos de IA chegaram a 3,9% do volume orgânico em agosto de 2026, após avanço ao longo dos meses anteriores. Os números não devem ser comparados diretamente com os de Haynes, pois amostras e metodologias são diferentes.

Também há evidências de crescimento no comércio eletrônico. Segundo dados da Adobe Analytics divulgados pela Reuters, compradores norte-americanos já utilizam assistentes generativos para pesquisar produtos, enquanto varejistas procuram melhorar a apresentação de informações para aparecer nas recomendações de IA. O impacto é diferente conforme o setor e a etapa da decisão de compra.

Uma amostra muito maior, da Ahrefs, com mais de 115 mil sites, registrou que assistentes de IA responderam por 0,43% do tráfego monitorado em setembro de 2026. Esse indicador usa como denominador o tráfego total da amostra, não apenas a busca orgânica. Em conjunto, as pesquisas apontam um canal ainda pequeno, mas com comportamentos de crescimento distintos.

Por que GEO pode crescer mesmo sem substituir o tráfego do Google?

O principal potencial do GEO pode não estar apenas no clique direto. Assistentes como ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity ajudam usuários a comparar alternativas, esclarecer dúvidas e identificar fornecedores antes de acessar um site. Uma marca pode ser descoberta em uma resposta de IA e receber posteriormente uma busca por nome, uma visita direta ou uma conversão em outro canal. Essas trajetórias são difíceis de atribuir com precisão no GA4.

Há ainda uma transformação dentro do próprio Google. Com recursos como Visões Gerais Criadas por IA (AI Overviews) e Modo IA (AI Mode), a experiência generativa passa a fazer parte da busca tradicional. Nesses casos, o tráfego pode continuar aparecendo como busca orgânica, mesmo quando a jornada foi influenciada por uma resposta gerada por IA.

O problema é que mais respostas prontas também podem significar menos cliques. Em um estudo divulgado em julho de 2025, o Pew Research Center constatou que os participantes clicavam em resultados tradicionais em 8% das buscas com resumo de IA, ante 15% das buscas sem esse recurso. Os dados mostram associação, não permitem atribuir toda a diferença exclusivamente à IA.

Do SEO ao GEO: o que tende a ganhar valor

GEO é a disciplina voltada a melhorar a presença, a compreensão e a eventual citação de conteúdos em respostas produzidas por sistemas generativos. Um trabalho acadêmico apresentado na conferência KDD 2024 encontrou ganhos de visibilidade de até 40% em testes controlados de otimização. Isso não equivale a 40% mais acessos, clientes ou receita: o efeito foi medido dentro daquele ambiente experimental.

O crescimento do GEO dependerá menos de fórmulas para agradar algoritmos e mais de práticas que tornem uma fonte confiável e útil: informações originais, identificação de autores, dados verificáveis, atualização editorial, estrutura semântica clara, páginas acessíveis e detalhes consistentes sobre produtos ou serviços. Conteúdos com pesquisas próprias, análises e respostas completas a perguntas específicas podem se diferenciar de textos genéricos reproduzidos em escala.

Essa visão é compatível com a orientação do Google Search Central, de maio de 2026: boas práticas de SEO permanecem fundamentais para os recursos generativos do Google, sem necessidade de uma suposta marcação especial para aparecer nas respostas de IA.

Três cenários para os próximos anos

  1. Crescimento gradual: assistentes passam a recomendar mais fontes e a encaminhar mais visitantes, mas o Google continua dominando o volume. Nesse cenário, GEO complementa o SEO.
  2. Busca com menos cliques: respostas de IA resolvem dúvidas sem encaminhar visitas. A visibilidade e o reconhecimento da marca aumentam de importância, enquanto a mensuração por sessões isoladas perde parte da capacidade de explicar resultados.
  3. Web orientada por agentes: sistemas de IA começam a consultar dados estruturados, comparar opções e executar tarefas em nome dos usuários. Sites precisam oferecer informações e funcionalidades que possam ser compreendidas e utilizadas por agentes, além de páginas destinadas à navegação humana.

Esses cenários são possibilidades de evolução, não previsões quantitativas. Ainda não há evidências suficientes para determinar o percentual de mercado que GEO conquistará nem em quanto tempo.

Como medir GEO sem abandonar o SEO

Para negócios e equipes de conteúdo, o primeiro passo continua sendo estabelecer uma base sólida de SEO técnico, acessibilidade, performance e qualidade editorial. Depois, o GEO pode ser avaliado como uma frente experimental com metas mensuráveis:

  • Identificar sessões e conversões atribuídas a assistentes de IA no GA4, documentando limites de atribuição;
  • Acompanhar buscas pela marca e páginas mais mencionadas ou citadas nas plataformas, sem confundir menção com resultado comercial;
  • Monitorar leads, pedidos, cadastros, receita e outros eventos relevantes, em vez de analisar somente visualizações;
  • Verificar como conteúdos originais e informações estruturadas aparecem em perguntas recorrentes, repetindo testes ao longo do tempo;
  • Preservar o desempenho no Google e comparar o retorno dos experimentos de GEO com o de outras ações digitais.

O ponto central: o GEO não precisa superar o Google em volume para se tornar útil. Seu valor dependerá da capacidade de influenciar descobertas, escolhas e ações, inclusive em jornadas nas quais o usuário nunca clica diretamente em um link apresentado pela IA. Até que esse impacto possa ser medido de forma consistente, o mais prudente é tratar SEO e GEO como estratégias complementares, não concorrentes.

Fontes e metodologia

Esta análise editorial foi elaborada em 23 de outubro de 2026 a partir das seguintes publicações: Marie Haynes, 21/10/2026; Google Discovery/Eurisko, 22/10/2026; The SEO Works; Ahrefs; Pew Research Center; Google Search Central; e estudo acadêmico GEO (KDD 2024). As amostras usam períodos, segmentos e denominadores diferentes, e seus percentuais não devem ser tratados como estimativas universais.